terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A experência




Quem somos nós?Uma indagação meio filosófica, meio clichê, meio fora de moda...a grande questão é dialética. O verbo coerente é o estar e não o ser. Nesse momento estamos para determinada situação, determinado cenário ou clima. Poderíamos ser vários, e o somos no decorrer da vida.
Na febre de baixar filmes quando morava na Alemanha, com a ajuda da Internet veloz que o fazia em menos de 20 minutos, deparei-me com "A Experência" (Das Experiment - 2001), direção de Oliver Hirschbiegel. Não sabia nada do filme, e logo no começo fui interessando-me por esse personagem calmo, meio misterioso interpretado por Moritz Bleibtreu (Corra Lola, Corra!), um dos melhores atores alemães da nova geração, juntamente com Daniel Brühl (Adeus Lenin!). O filme encaminha-se de forma descontraída, Tarek (Bleibtreu), é um desempregado, que precisa de dinheiro e junto com outros homens que têm por fim o dinheiro ou outras formas de afirmação, aceita participar de um experimento de 15 dias, recebendo determinado valor por dia. A experiência do título, consiste em um cárcere monitorado por câmeras, onde esses 24 homens seriam divididos entre guardas e presos, regidos por regras de conduta para bem conviver até o final, e ai sim retirarem seus cheques se tudo corresse bem. Não é muito bem o que acontece.
Não vou falar muito mais do filme, mas é interessante imaginar como reagiríamos em uma situação limite. Qual a nossa personalidade crua, quando vestimos as mesmas roupas que muitos? Quando não existe diferença social? Quem realmente somos na origem. Fiquei imaginando tudo isso muito tempo depois de assistir a esse filme no começo de 2009. Hoje, dois anos depois pude assistir à versão americana, Detenção ("The Experiment" - 2010), direção de Paul Scheuring, estrelado por Adrien Brody (O pianista), e Forrest Whitaker (O último rei da Escócia). Não consigo dizer qual dos dois filmes é melhor, ambos retratam bem, na medida cabível cinematográfica esse experimento verídico conhecido como "Experimento de Aprisionamento de Standford", feito em 1971 nos EUA. Só digo uma coisa, tem que ter estômago.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Estréia : Biutiful

No primeiro ato do filme que estreia essa semana no Brasil, "Biutiful" (2010 - Alejandro Gonzalez-Inarritu), não podemos imaginar que o cenário de pobreza mal cuidada mostrado, seria uma parte não divulgada da bela Barcelona. O diretor Iñarritu, de Babel (2006), e Amores Brutos (2000), conhecido por suas tramas multifacetadas e ágeis, conta dessa vez a apenas uma história, participamos da jornada de herói clássico em derrocada. Uxbal (Javier Bardem), é um bom marido e pai de família que sofre para oferecer o mínimo de conforto para seus filhos, e ainda bancar os tratamentos para as crises de bipolaridade de sua mulher. Além de todos os problemas de ser praticamente um pai solteiro, ele sofre no trabalho, onde "comissiona" imigrantes africanos e chineses, os quais sem querer ele também sentimentalmente adota. Uxbal é um doente terminal de cancer. Assistimos a um Javier Bardem sofrendo e muito na cidade catalã que aos poucos vai mostrando suas belezas escondidas nessa trama trágica. Biutiful pode ser uma grande novela mexicana com uma fantasia de hollywood, até cool. Como tudo em se tratando de Cinema, depende do seu estado de espiríto, do nível de bofetada na cara que você pretende levar, e da estética que acaricia seus olhos...eu pessoalmente fico com algo um pouco mais bonito, sem o trocadilho do título.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Inesquecível no mau sentido

Hoje eu me lembrei de um filme que assisti há uns bons cinco anos atrás, no mínimo: Irreversível (Irreversible - 2002), com roteiro e direção de Gaspar Noé. Esse filme francês, estrelado pelo famoso casal Monica Belucci e Vincent Cassell, foi realmente marcante para mim. Até hoje não consigo ter frieza para entender a qualidade do filme, sua densa narrativa, atuações fortes e por vezes sutis, e os interessantes contrapontos de sequências de violência com doces cenas de amor e amizade. Tudo é rico em ousadia e inovação, mas o diretor optou pelo choque, e fez do choque a linha mestra de um filme, que ao meu ver, poderia ser inesquecível por outros méritos. Irreversível mostra uma sequência sem cortes de um estupro seguido de espancamento. Até hoje só a lembrança dessa cena me faz mal e mexe comigo. Respeito a decisão do diretor, mas não consigo enxergar cooperação alguma que isso possa ter para a nossa sociedade, o que eu gosto de pensar para o Cinema.


O casal franco italiano na ficção e na vida real, e uma cena linda, dentro de um filme de horror

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - Eu assiti

Eu assisti a Tropa de Elite 2 (2010). A Equipe todos conhecemos, diretor José Padilha, estrelado como nunca antes algum filme brasileiro o foi, por Wagner Moura, o mundialmente iconico Capitão Nascimento, com roteiro produzido por uma tropa, do trocadilho proposital, Bráulio Mantovani, baseado em argumento de José Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani. Acompanhei tanto a pré produção (online), desse segundo filme, já li tantas críticas (todas positivas, e seguindo a linha da grife, crítica que transcende do âmbito meramente cinematográfico), e então fui eu mesma assistir. Eu fiquei arrepiada e um tiquinho eufórica depois do gancho das primeiras cenas, quando eles nos deixam perplexos com algum acontecimento (da mesma forma que acontece no primeiro, e seguindo uma linha meio Tarantinesca, que eu adoro), e depois explodem na trilha tema do Tijuana. No plano geral e levando em conta o receptor da mensagem, eu no caso, uma otimista de plantão, fiquei bem chocada com o final. Quem espera encontrar resquícios do primeiro filme, vai sair no mínimo desapontado. O segundo filme, como toda grande sequência deve ser, brilha sozinho e com própria personalidade, (vide a segunda parte de Poderoso Chefão por exemplo, que consegue superar a primeira). Tenho certo receio da chamado "voice over", a narração de Nascimento, aquele comentário contínuo que acompanha a ação, explicando-a muitas vezes de forma levemente excessiva, mas por outro lado, não consigo imaginar esse filme sem esse recurso. Como Tropa de Elite (o primeiro), pelo menos pra mim que mergulho na "realidade" mostrada, a projeção pesa, me deixa pensativa, e por muitas vezes até um pouco deprimida. O veredicto (pra mim), fica entre o "é essa merda ai mesmo" e o "vamos acordar pessoal!". É de se pensar, e reassistir, e discutir, e pensar nele quantas vezes forem necessárias, filmaço, nacional, com conteúdo, e sucesso retumbante de bilheteria, um orgulho! E é isso resumindo o "inrresumível".

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

FIlme de ator

Sandra Bullock todos conhecemos, e invariavelmente simpatizamos com ela. A típica garota forte e talentosa, bonita de uma beleza real, que pode ser da nossa vizinha ou colega de escola. Os filmes americanos têm se mostrado antes de filmes de autor (qdo diretor e roteirista são a mesma pessoa), filmes de ator, se é que esse termo existe. "A Origem", como mais um filme do Leonardo di Caprio, "Comer, Rezar e Amar", de Julia Roberts. Nesse ano de 2009 tivemos a volta real e palpável de Sandra Bullock versátil (até demais), em lançamentos importantes. De todos eles, ela ganhou o Oscar por "Um Sonho Possível" (The Blind side - 2009), direção: John Lee Hancock e roteiro do mesmo, baseado em livro de Michael Lewis. Um filme justo em todos os aspectos, bom entretenimento, boas atuações, bom roteiro com humor e que emociona, sobre a história real de Michael Oher, filho de mãe viciada e largado na rua, que é recebido em uma família rica e mais tarde se torna um astro de futebol americano. Lembrou-me muito de Preciosa do mesmo ano, e também indicado, como Um Sonho Possível, ao Oscar de melhor filme. Prefiro o primeiro em muitos aspectos, mas muito por gosto, prefiro o realismo de Preciosa.



Cena de "Big Mike" com o garoto CJ caçula da família, do tipo "relief character", tipo que dá leveza e humor à história.