quarta-feira, 2 de junho de 2010

Adaptação criativa

Finalmente assisti à "Julie e Julia" (Julie & Julia - 2009), com roteiro adaptado de dois livros: Julie & Julia", de Julie Powell, e "My Life in France", de Julia Child e Alex Prud'homme e também direção de Nora Ephron. O filme é estrelado pela recordista do Oscar, Meryl Streep (versátil como poucos desde "As Pontes de Madison" com o rei Clint Eastwood, até atuar em uma das obras do maluco beleza Charlie Kaufmann em "Adptação"), o que já é uma pedida ganha de filme, não conheço um sequer no qual ela trabalhou que não fosse bom ou simplesmente excelente. No téte a tete com a grande atriz, temos a jovem e promissora Amy Adams (Encantada, A dúvida - tbm com Mery Streep), todos sob a tutela não pretensiosa e sensível da diretora Nora Ephron - vi que o nome não me era estranho, e depois confirmei que é a mesma diretora dos clássicos dobradinha com Meg Ryan e Tom Hanks, "Sintonia do Amor" e "Mensagem para você".

A história narra o processo de criação do blog de Julie Powell (personagem de Adams), cuja meta é fazer todas as 524 receitas da maior (em todos os sentidos), cozinheira americana, Julia Child (Streep), no prazo de um ano.
O filme é uma grande aula de adaptação de livro, vidas, e sentimentos para o roteiro cinematográfico. Nora Ephron transcende a costumeira licença poética para, a partir do recorte de Julie Powell, ilustrar a vida de sua guru Julia Child, focando nos anos que a mesma viveu em Paris, aprendendo tudo sobre a culinária francesa, que mais tarde ela popularizou através de seu livro (agora na 49a edição), "Mastering the Art of French Cooking".

O filme tem diversos lances singelos, olhares, sensações e anseios que não são ditos, mas ilustrados belamente, do jeito que o cinema deve ser. Andava com medo dessa onda que prioriza a direção de arte e efeitos 3D no cinema, sentindo uma falta constante de sentimento, e humanidade, bom saber que ainda existem filmes como Julie e Julia e roteiristas como Nora Ephron.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A redescoberta de Almodóvar

Ontém fiz uma sessão particular, (finalmente) de Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos - 2009). Tento assistir esse filme desde seu lançamento em meados de 2009 em um festival na Alemanha. Voltei para o Brasil, e tentei assisto-lo na Mostra de São Paulo, acabei enrolando e só fui assistir ontém a noite a esse novo conceito de Pedro Almodóvar. Ao assistir a um filme, ainda mais de um diretor querido como o é o Pedrão, sinto-me conquistada antes dos créditos iniciais. Preciso assumir que nesse caso fiquei perplexa. Procurei traços característicos, resquícios de Almodóvar por todos os lados...não encontrei muita coisa, além da atriz Blanca Portillo no papel de Judit e a musa Penélope Cruz como Magdalena, presentes também as cores vibrantes e figurino impecável, impressionante como um homossexual assumido pode valorizar tanto as formas femininas. Os ingredientes estavam lá, a paixão, o sexo, as drogas (dessa vez as sintéticas), Madri, o vermelho, o ciúme doentio, em um drama almodovariano, pura e simplesmente. onde não se vê as tiradas sarcásticas, a comédia normalmente presente. Foi nesse momento que pensei, se realmente apreciava o filme, ou se o nosso mestre teria perdido a mão. A conclusão foi o contrário. Percebi que depois de muita experiência, de muita estrada, um diretor/autor do porte de Pedro Almodóvar, pode se dar ao luxo de trilhar os caminhos que bem entender sem se prender ao seu próprio estigma. Dentro da excentricidade maravilhosa desse cara, ele consegue ainda se auto homenagear, em um filme metalinguístico, com um filme dentro de outro filme, um mini "Mulheres a beira de um ataque de nervos", além das participações de atrizes que se tornaram sinônimo de Almodóvar: Chus Lepreave e Rossy de Palma . A estética é maravilhosa, uma cena na praia nos lembra a cena final de "La dolce vita" do mestre do mestre, Federico Fellini. Uma homenagem ao cinema, mas eu ainda escolho as antigas risadas...

Ver também, em mais um dos poucos dramas de Almodóvar, Má Educação (La mala educación - 2004), como sempre dirigido e escrito por ele, não necessariamente nessa ordem, considerado uma auto-biografia, com Gael García Bernal e um dura crítica, novamente, à Igreja, principalmente aos padres.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dica da semana: "Na mira do chefe"



A dica é o filme Na mira do chefe ("In Bruges" - 2008), direção e roteiro de Martin Mcdonagh. Colin Farrel (Ray) estrela essa comédia de humor bem inglês, sobre um funcionário, na verdade um assassino, Ray e seu parceiro Ken interpretado pelo ótimo Brendan Gleeson, que "graças" ao chefe (Ralph Fiennes), são mandados para Bruxelas (do título original Bruges), sob o pretexto de descansarem depois de muito trabalho. Na verdade, eles estão na cidade para que o personagem de Ray, um figura extremamente mal humorada, mas com uma pitada de doçura, possa aproveitar seus últimos momentos de vida, já que Ken, seu parceiro, recebe a missão do chefe para matá-lo, por causa de um erro que Ray havia cometido anteriormente. O filme tem ótimas sacadas, ótimas interpretações, e mais uma vez, é despretensioso. Comecei a assistir com pouco caso, mas acabei ganhando bons momentos de entretenimento do bom. Missão cumprida do Cinema.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Puro sentimento

Vale a pena relembrar quão pequeno somos, e como precisamos de pouco para sermos felizes. Volto-me para a década de 40, em meio à segunda grande guerra, longe dos canhões, perto das reais mazelas e bombas sociais, onde se passa a história de Vittorio de Sica, diretor de Ladrões de Bicicleta (1948 - Ladri di Biciclette). Um filme dos bons de guerrilha, com quase nada de orçamento, uma direção maestral de atores amadores, e uma história que toca na sua simplicidade, e no alvo direto que se aloja na nossa moral e auto estima humana, na reflexão de até onde podemos ir na necessidade. Olhares, detalhes, isso que faz um cinema de qualidade, coisas que infelizmente passam despercebidas, ou se supervalorizam e plastificam-se no nosso atual cinemão tecnológico.

Ver também: Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso - 1988), direção de Giuseppe Tornatore, passa-se após a Segunda Guerra, nos anos que antecederam a chegada da televisão, quando o cinema hipnotizava a maioria das pessoas. Sobre a amizade de um garoto e um senhor projecionista, que surge do e no cinema. Maravilhoso!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Uma realização inspiradora

Eu tinha que assistir a um filme pela quarta vez na vida. Isso acontece com freqüência, já comentei como o filme é também um produto como outro qualquer, muitas vezes temos certeza do que precisamos para aquele exato momento como resposta a uma necessidade real, foi esse o caso nesse sábado chuvoso. Estava ultimamente sentindo um vazio de esperança, um fogo que faltava dentro de mim, um perigo para uma pessoa apaixonada: esfriar. O cinema entra como o meu placebo pessoal, na embalagem do filme O diário de uma paixão (The Notebook - 2004), dirigido por Nick Cassavetes e o que eu considero a melhor história de amor contada nos últimos tempos, até mesmo maior que Casablanca, e o Vento levou ou Doutor Jivago, paradigmas clássicos românticos. Muitos logo o chamariam de mais um filme água com açúcar, enfim...já eu penso isso por uma qualidade nem sempre lembrada: a despretensão. O personagem principal e narrador, a relação, tudo é despretensioso (menos as locações fantásticas da Carolina do Sul nos EUA). O filme é baseado no besteseller americano homônimo do autor Nicholas Sparks, com roteiro adaptado de Jeremy Leven. Ele conta a história de um homem, cuja maior realização na vida foi viver um grande amor, em uma adaptação, produção, direção, atuação, como triunfo de um processo cinematográfico que colore essa história em frente aos nossos olhos, só precisamos aproveitar a jornada, sentados no escuro de uma sala, onde o extraordinário é possível. Uma vez um amigo me respondeu o seguinte quanto ao seu futuro profissional: “eu quero encontrar um grande amor, o resto, a parte profissional, eu corro atrás, por que só depende de mim.” Algo do tipo, foi há uns seis anos, e eu nunca me esqueci. Sábias palavras.

Pra quem se interessa pelo gênero, vamos consumir amor de vez em quando, estréia nos cinemas: Querido John (Dear John - 2010), direção de Lasse Hallström, com roteiro de Jamie Linden, baseado em livro do mesmo de Nicholas Sparks.