segunda-feira, 10 de maio de 2010

Almanaque da Paixão

Segundo o Dicionário de Cinema, encontrado no site FILME B (http://www.filmeb.com.br/portal/html/portal.php):
SEQÜÊNCIA - (1) Uma série de tomadas (cenas) ligadas por continuidade.
Normalmente falo de filmes inteiros, nesse post em especial, gostaria de enfatizar uma das sequências mais sexy dos últimos tempos, que se resume mais ou menos nisso:
Abrimos com uma Jennifer Lopez sentada solitária em uma mesa de um bar sofisticado, ao lado de uma janela, ela olha pra fora fora, onde neva. A garçonete vem e ela pede um Bourbon. Em segundo plano vemos três homens bem vestidos, aparentemente em final de expediente observando-a. Eles conversam, riem, e comentam sobre ela. A garçonete vem com a bebida e diz que os senhores gostariam de pagá-la pra Karen, a personagem de Jennifer, ela educadamente diz que prefere pagar ela mesma. O primeiro dos homens se aproxima dela, mas não tem chance. Ele cruza com um segundo mais atrevido que sem permissão senta-se à mesa, fala sem parar, e no final recebe um “Who gives a sheat”. Ele vai embora humilhado. Close somente nela, tomando calmamente e dispersa o seu Bourbon, abre-se o plano de leve e vemos uma mão conhecida, brincando caracteristicamente com um isqueiro de prata. Ela ouve, ela olha pra cima. Jack Foley (George Clooney) se senta. A mudança é clara, a atração entre aquelas duas pessoas é palpável, o plano se fecha no mundo que são eles. Nos cortes seguintes, assistimos a um jogo de sedução e afinidade que vai de uma conversa informal e até um striptease duplo. Seguramos nosso fôlego e hormônios, eis a descrição do amor ideal.
O fillme é Irresístivel Paixão (Out of Sight - 1998), direção de Steven Soderberg, um cara cool. Logo mais, alguns embates dos cool directors. Uma conversa entre “Tarantino (Kill Bill) x Jason Reitman (Juno) x Soderberg (11 homens e um segredp) x Cameron Crowe (Quase Famosos)”. Aguardem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Filmes pra idiota ver. Prazer, Idiota.

Desde meados dos anos 70, quando surgiu o sexteto inglês (esse sim fantástico), do grupo humorístico Monty Phyton, nós recebemos um grande presente: rir sem razão nenhuma de como somos ridículos, para tal feito, exige-se uma inteligência das mais extraordinárias, a que é voltada para o humor, ou seja, a caricatura da vida real. Dentro de situações non sense, encontramos a coesão da vida ocidental que aprendemos desde o nascimento, tudo de repente pesa menos, temos como que a permissão de rir loucamente de um cara irritando voluntariamente outro cara, ou de uma entrevista de emprego absurda (um pouco como todas as entrevistas...).
Dessa safra, temos um ótimo exemplar de humor no atual "Se beber, não case!" ( "Hangover" - ressaca em inglês - 2009), direção de Todd Phillips, roteiro maluco de Jon Lucas e Scott Moore. Como pessoa estudada é preciso bastante personalidade para assistir filmes desse tipo, com esse humor escrachado e basicamente tido como idiota. É preciso ainda mais desapego, ao sentar-se em frente a todos em uma sala de projeção, e literalmente chorar de rir com as aventuras desses quatro amigos, vale citar o elenco que arrasa, Bradley Cooper (Phil Wenneck), Ed Helms (Stu Price), Justin Bartha (Doug Billings), e principalmente o gordo genial Zach Galifianakis (Alan Garner), que vão para Las Vegas por uma noite para fazer uma despedida de solteiro de um deles, e acordam no dia seguinte à grande (e subestimada) noite, com aquela ressaca, e o pior, a maior amnésia já vista! O cenário é desolador, um bebê sozinho no armário, um tigre no banheiro, aparição de Mike Tyson, referências a cenas de Rayman, muita liberdade criativa, e quase zero de puritanismo americano, o que é o melhor! Muitos torcem o nariz, mas a maioria recomenda essa grande surpresa de 2009, e já um clássico do cinema.

Ver também o maior dos clássicos: Debi & Loid: Dois idiotas em apuros (Dumb and Dumber- 1994), direção dos irmãos Peter Farrelly e Bobby Farrelly, mesma dupla de "O amor é cego", com Jim Carrey e Jeff Daniels.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O melhor filme de todos os tempos

I´m Jack´s broken heart.
You do not talk about it.
You do not talk about it.
The things you own, end up owning you.
Você tem um motivo. Você tem um protagonista em dose dupla, como JAMAIS se viu parecido no cinema. Você tem uma crítica dura ao sistema e a todos nós que fazemos parte dele sem nos perguntarmos o porquê ou melhor, como. Você tem um amor dos mais loucos já visto. Você tem um final surpreendente. Eis o maior filme de todos os tempos: Clube da luta.
Há uns bons três anos minha resposta quanto ao meu filme preferido é enfática, não é a toa que temos um Tyler Durden, "o cara" ai em cima como "papel de parede" do site. Temos nesse filme um roteiro acelerado e genial. Literalmente não temos um segundo de marasmo desde a primeira cena de Edward Norton com uma arma na boca, ainda se perguntando se a arma está limpa. O filme é uma construção milimetricamente perfeita de aula de sociologia e existencialismo, humor, ação e por que não, romance. Que tipo de arte/mídia pode se dar ao luxo de juntar existencialismo com ação? Clube da Luta pôde. Ainda como um bom verniz para toda essa obra de arte, temos figurino (os casacos de pele e camisetar pops de Tyler Durden), direção de arte (toda a locação da casa abandonada) e trilha sonora (com The Pixies e "Where is my life" na apoteose), maravilhosos. A edição e produção de efeitos são um filme a parte, brincando a todo momento com a nossa percepção de tempo e espaço.
Como todo bom roteiro não garante todo o sucesso final, temos tão ou mais principalmente as atuações e a química entre os profissionais. Edward Norton, Brad Pitt e Helena Boham Carter transpiram a loucura e o comum desses personagens que guardam um pouco de todos nós reféns da vida moderna. Sob a direção de David Fincher, toda essa salada ainda é cool.
Estava mesmo precisando de inspiração, um bom filme nunca é o mesmo cada nova vez que se assiste.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cinema brasileiro que vende

O cinema brasileiro teve seu auge de público - ainda imbatível - lá nos anos 70, na época da Boca de Lixo, conhecida como pornochanchada, que ficava na Rua do Triunfo em São Paulo (atual Crackolândia). Depois das chanchadas, nessa mesma linha de grande público tivemos nos anos 80 os clássicos dos Trapalhões e outros Lua de Cristal e patentes da rainha dos baixinhos. Um tanto deprê pra quem é brasileiro e ama Cinema. Entretanto, há um luz brilhante no fim do túnel, e para uma otimista de carteirinha como eu, uma luz promissora que começou na corrida pro século 21 em uma leva de bons filmes que agradam a crítica e chamam a atenção do mundo. Em 1997 temos um "O que é isso companheiro?" (o melhor filme brasileiro na minha opinão), de Bruno Barreto que é fortemente cotado na época ao Oscar de melhor filme estrangeiro, seguido por Central do Brasil (Walter Salles - 1998), também indicado ao prêmio. Nos contemporâneos Cidade de Deus (Fernando Meirelles - 2002) e Tropa de Elite (José Padilha - 2007), enxergamos a evolução tecnológica e narrativa desse cinema, transformando esses filmes em verdadeiros cults que paradoxalmente caem na boca do povo.Todos mostram uma realidade brasileira característica no sentido histórico ou sociológico (ditadura, pobreza, violência). Ontém eu assisti a uma nova promessa tupiniquim, já com um apelo mais universal do adolescente, que segue de uma leva mercadológica iniciada pelo casal Laís Bodanzky e Luiz Bolognese (Chega de Saudade - 2008), uma dupla de diretora e roteirista respectivamente do filme que estea em cartaz em várias salas de cinema: As melhores coisas do mundo (2010).



Cena maravilhosa de mãe e filho.


Baseado em uma série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto ("Mano"), o filme foi um orgulho sentido no peito do começo ao fim. O cinema cumpriu seu papel importantíssimo ao retratar uma geração, e eu me vi naquela ilustração dessa fase profunda da puberdade e da formação de caráter que é o ensino médio. Luiz Bolognese dá uma aula de roteiro, com todos os pontos de virada e conflitos bem marcados, e principalmente na linguagem esmiuçada dessa molecada de 15 a 17 anos. No mérito de Laís Bodanzky, encontramos excelentes interpretações do protagonista Mano (Francisco Miguez), sua melhor amiga Carol (Gabriela Rocha), seu irmão Pedro, o futuro super galã Fiuk e uma Denise Fraga à flor da pele como a mãe que sofre calada. E o golpe baixo de ter os direitos da melhor música dos Beatles: Something composta pelo subestimado George Harrison. Como toda boa obra, eu tenho que ser clichê e dizer que faz rir, chorar, ficar apreensivo, e mais um turbilhão de sentimentos obrigatoriamente suscitados por um bom filme. E o melhor de tudo, é um filme que vende.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Eu não estou lá

Ele é todos. Ele é nenhum deles. Bob Dylan encaixa-se muito bem como bode expiatório para essa concepção humana de múltiplas personalidades. Os roteiristas Oren Moverman e Todd Haynes utilizam-se de uma das figuras mais deslumbrantes ainda vivas, principalmente pelo fato de ser uma pessoa autêntica, para a construção desse filme/documentário/clipe. Eu não costumo escutar Bob Dylan. Tenho um cd dele, da fase do "Blowin' in the wind" (The Freewheelin' Bob Dylan - 1966), quando ele tinha apenas 22 anos, e sinceramente, adoro as letras, mas não aguento a voz dele e o ritmo arrastado por mais de duas músicas. Ao que me interessa, sei que ele teve um encontro animado com os Beatles no meio dos anos 60, e que apresentou a bendita erva a eles, causando grande impressão, principalmente em John, não só pessoalmente, como musicalmente falando, o que já é interessante de se pensar.



Toda essa minha comoção no sentido da vida de Bob Dylan partiu desse filme a que assisti ontém, extremamente cansada, segurando para não dormir, não por ser tedioso, muito pelo contrário: Eu não estou lá (I'm not there - 2008) direção e roteiro de Todd Haynes, já é desde o começo um parque de diversões pronto pra mim, tendo o meu saudoso Heath Ledger (que parece nunca parar de lançar novos filmes, mesmo póstumos), Christian Bale, Richard Gere, Charlotte Gainsbourg (a nova querida de Lars von Trier), participação da minha musa Julianne Moore e uma Cate Blanchet, que como todos e o Oscar sabem, rouba a cena.
A trilha sonora, apesar de Dylan não ser minha preferência musical, segue organicamente a ordem cronólogica (se é que é possível uma ordem dentro de tanto "caos" narrativo e núclear), e o filme se torna algo difícil de resumir, nomear, entender, criticar, mas faz sentido. Acredito que tudo isso coerente à figura de Bob Dylan.

Simpatizei de verdade com as idéias dessa pessoa atéia, religiosa, simples, consumista, adorável, grosseira, e incrivelmente talentosa. Um poeta, que não admite ser chamado de poeta.
Um diálogo em especial de Heath Ledger, como um dos Bob, interessa-me muito. Ele é indagado por um amigo, sobre o por que de sua mudança repentina (por causa do sucesso, no modo de se vestir), que ele "não é/era assim", ao que "Bob" responde "você há um minuto atrás tinha a voz em outro timbre" ou algo do tipo...o velho lance do rio que você se banhou nunca será o mesmo no dia seguinte, e toda essa quebra que ele representa, quebra do que está arraigado, quebra daquela versão repetida do que é a vida, a música, os sentimentos. Um talvez admirador tupiniquim bem diria um dia: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante...".

Ver também na linha "biográfica", um filme muito querido: Chaplin ("Chaplin" 1992), Direção de Richard Attenborough (diretor da também biografia "Gandhi"), roteiro de William Boyd, Bryan Forbes e William Goldman, baseado nos livros de David Robinson e Charles Chaplin. Robert Downey Jr como o eterno mendigo "Carlito", dentre outros, a história de um homem adorável e genial, que se mistura com a própria história do Cinema.